Quarta-feira, Março 25, 2009

Comics! - Brevemente

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Bussaco

Quinta-feira, Março 19, 2009

A minha retractação

Parece que os Twitterati Twiterados Twits Twirs Twiteridsfaskdfhasf tipos que gostam do Twitter, também têm sentido de humor. Damn.

Dando a mão à palmatória, talvez o Twitter não seja assim tão tonto como supunha.

Portanto, e a bem da justiça, admito que há algo que consegue ser ainda mais tonto.



Twittar no Second Life



Quarta-feira, Março 18, 2009

Teste Diagnóstico

I Parte - Interpretação de um Texto

(leia o texto com atenção antes de responder às perguntas)

Um indivíduo, enfia-se no carro, num Domingo à tarde, à chuva, e vai de Póvoa de Santa Iria aos estúdios da RTP, em Chelas. Pelo caminho, compra um hambúrguer que depois entrega a Alberta Marques Fernandes, que estava a apresentar as notícias e tinha comentado no Twitter, um serviço de micro-blogging, que lhe apetecia um hambúrguer. A pedido dos utilizadores do Twitter, que acompanhavam o desenrolar dos acontecimento através do Twitter, Alberta Marques Fernandes faz um sinal com a caneta a dizer que recebeu o hambúrguer.

(fonte: http://dn.sapo.pt/2009/02/14/centrais/as_redes_nos_unem.html)

Responda agora às perguntas:

1 - Este indivíduo é uma pessoa real?

2 - Quanto tempo demora uma viagem de carro de Póvoa de Santa Iria à RTP (a chover), num Domingo?

3 - A RTP é em Chelas ou nos Olivais?

4 - Por que terá Alberta Marques Fernandes feito um sinal com a caneta a assinalar a recepção do hambúrguer, ao invés de ter enviado uma mensagem pelo Twitter?

5 - O Twitter é um paradigma revolucionário de comunicação? Ou um concorrente do No Menu?


II Parte – Diagnóstico


Identifique qual dos seguintes exemplos NÃO corresponde a uma conversa de Twitter:

Exemplo 1:

EcaQueiroz21 Matricula-se então na faculdade de direito na universidade de Coimbra e o primeiro effeito dos estudos superiores sobre a sua cabeça é augmentar-lhe a caspa.

Ramalhort Depois a vida academica absorve-o e elle percorre toda a escala das nobres loucuras de uma mocidade espirituosa e vivaz: empenha as piugas, toca o fado, dá canelões nos caloiros, espanca os burguezes, faz algumas canções «grivoises», entorna o môlho das ceias pelo peito da batina, e regressa a Lisboa bacharel formado.

EcaQueiroz21 O espinhaço do bacharel traz feita de Coimbra a curva servil do pretendente do Terreiro do Paço.

Ramalhort É assim que uma quantidade iunumeravel de individuos que formam a classe dirigente vivem d'este cuidado unico: O cuidado de se não comprometterem. Nunca mais dizem o que sentem. Nas suas idéas, nas suas opiniões, na sua linguagem, tudo é riscado pela pauta official. Se alguma vez do fundo do nojo que suscita esta dyspepsia moral lhes vem á bocca uma verdade, engolem-a para baixo como o caroço de uma fruta prohibida.

Exemplo 2:

EcaQueiroz21 Vai p Direito em Coimbra e fica cheio de caspa http://tinyurl.com/d8tuax

Ramalhort @EcaQueiroz21 LOL depois vai p 1a tuna e faz das boas! no final é vê-lo regressar a lx com canudo...

EcaQueiroz21 LOL RT @Ramalhort depois vai p 1a tuna e faz das boas! no final é vê-lo regressar a lx com canudo...

ZeMama RT @Mingas21 RT @JP RT @EcaQueiroz
LOL @Ramalhort depois vai tuna pinta manta! Final lx com canudo…

XokaMokaLata @ZeMama @Mingas21 @JP @EcaQueiroz @Ramalhort ROTFL

ZeMama @XokaMokaLata @Mingas21 @JP @EcaQueiroz @Ramalhort LMAO

Mingas21 @ZeMama @XokaMokaLata @JP @EcaQueiroz @Ramalhort XIRIBITITATATA HURRAH HURRAH

EcaQueiroz @XokaMokaLata @ZeMama @Mingas21 @JP @ Ramalhort Ele quer é um tacho num ministério!

XokaMokaLata @ZeMama @Mingas21 @JP @EcaQueiroz @Ramalhort ROTFL

ZeMama @XokaMokaLata @Mingas21 @JP @EcaQueiroz @Ramalhort LMAO

Mingas21 @ZeMama @XokaMokaLata @JP @EcaQueiroz @Ramalhort
XIRIBITITATATA HURRAH HURRAH

XokaMokaLata @ZeMama @Mingas21 @JP @EcaQueiroz @Ramalhort @Zimba @Antuérpio @Bogas e gajas nuas! http://tinyurl.com/c7ofxw

Ramalhort pois é, real/ esta sociedd está a ir por água abaixo…

EcaQueiroz @Ramalhort concordo. Vou cagar. brb


III Parte – Exercício Prático

Complete os espaços em branco.

1 - O _______ permite-me descobrir de maneira fácil e organizada coisas que me interessam a partir de fontes credíveis e relevantes.
a) Google Reader b) Twitter c) Ter amigos interessantes

2 - O _______ vem obrigar as pessoas a saberem expressar-se através de frases curtas e concisas.
a) Twitter b) Sistema de SMS c) Barulho alto numa discoteca

3 - O _________ é uma excelente ferramenta de Networking, permite a pessoas com tempo livre como eu saberem que existo, partilhar endereços interessantes e não me compromete porque só comunico através de frases curtas e superficiais.
a)
Facebook b) Twitter c) Cocktail anual dos vendedores de Herbalife

4 - Hoje em dia só se fala sobre crescimento exponencial do ________, o que significa que ele é mesmo a melhor coisa de sempre a que tenho de aderir.
a) Trabalho do Timbaland b) Twitter c) Jogo da Bolha


IV Parte – Pergunta de Desenvolvimento

Um dia o Twitter será tão importante para a cultura popular como a Dança Jazz. (Desenvolva em não menos de três meses de exposição mediática)

Sexta-feira, Fevereiro 13, 2009

Tentei ser mais forte que isto, mas a verdade é que sempre quis fazer um post subordinado à temática: SEPARADOS À NASCENÇA

Quarta-feira, Outubro 22, 2008

Post sobre a revista Audácia em que acabo com qualquer esperança e vontade de que alguém continue a ler este blogue

Quando tinha 10 anos achava que era a única pessoa no mundo que lia a Audácia - a revista dos Missionários Combonianos. A assinatura da Audácia tinha sido presente de uma tia afastada, que só via no Natal e que era conhecida por dar presentes reciclados a toda a família. Uma vez deu uma caixa de chocolates à minha avó, onde faltavam três chocolates (em dezasseis). As pessoas que tinham sorte recebiam colecções de música clássica do Ediclube, onde se tudo corresse bem faltava só um Brahms ou assim.

Eu recebi uma assinatura anual da revista Audácia, que ainda renovei por um ano. A revista Audácia, e uma professora de Religião e Moral que me quis baptizar sem sucesso e que as pessoas diziam que usava peruca, fazem parte dos momentos em que cheguei mais próximo da religião. Os outros momentos envolvem nudez e sentimentos de culpa, felizmente de outras pessoas.

Por estranho que me possa parecer, nunca vi qualquer potencial humorístico na revista Audácia. Gostava da revista Audácia. Gostava de receber a revista Audácia pelo correio, ler as bandas desenhadas, fazer os passatempos e passar à frente dos textos e das fotografias a preto e branco que retratavam o trabalho dos Missionários Combonianos. Acho que só me explicaram o que era um missionário passados 14 meses de ler a revista Audácia. E é verdade que estranhava nunca ver referências a comboios na revista Audácia.

Esta foi uma piada fácil. Mas verdadeira.

Penso que uma das razões para me terem explicado o que eram os Missionários Combonianos foi o facto de ter ido ter com o meu pai e pedir-lhe para comprar umas rifas que tinham chegado com a revista. O meu pai chegou a enviar um cheque de quinhentos escudos para os Missionários Combonianos.

Ainda estou para determinar a importância da revista Audácia na formação do que é hoje a minha pessoa e propensão ociosa. Sei que não era a única pessoa no mundo a ler a revista Audácia e aceito-o, mas custa-me escrever frases só com uma vírgula da mesma forma que me apoquenta ter de ir conferir aos blogues maus que costumo ler para ver se estou a escrever tão mal como os autores dos mesmos.

Irrita-me dormir frequentemente menos de seis horas por noite. E, sobretudo, indigna-me não ter tempo para reflectir se me indignam mais pessoas que gostam de dizer banalidades sobre lugares comuns ou pessoas que gostam de ouvir banalidades sobre lugares comuns. É que os lugares comuns são das coisas mais importantes que temos nesta vida. Assim como o meu pai, que deu 500 escudos aos Missionários Combonianos, é uma das melhores pessoas que conheço.

Eu, ainda tenho muito que fazer.


O fim.

Terça-feira, Outubro 07, 2008

I'm not crying, it's just been raining on my face

Hoje poderia ser um bom dia para falar dos dois momentos de ligação a um objecto artístico, mesmo sem nunca ter lido nada do T.S. Elliot.

O primeiro, visceral; e um segundo, cerebral.

Gostar de algo é, numa certa dimensão, estabelecer uma relação. Neste sentido, o primeiro momento é aquele que constrói a ligação, e que a fundamenta. O primeiro não necessita do segundo, numa perspectiva de fruição. Já o segundo, necessita do primeiro. O momento cerebral prende-se mais com análises de contexto, mecânica, técnica, comparação e, imagino, outras coisas. Não sei se o T.S. Elliot terá falado sobre isto.

Claro que é possível ter o segundo sem o primeiro, mas extremamente aborrecido. Aborrecido como pessoas que gostam de música atonal, ou de Teatro.


Três compassos, às vezes quatro, são normalmente tudo o que basta para surgir aquela sensação especial de descobrir uma música nova. O próprio verbo, descobrir, implica uma acção, uma aventura que muitas vezes não implica mais do que andar a passear pelo Hype Machine. Não sei se o D.A.N.C.E. é uma canção melhor ou pior do que o Lump Sum do Bon Iver, mas sei que não tem metade da dimensão de um Lump Sum.

Já a sensação de descobri isto que se segue, não sei o que vos diga, são demasiadas relações e fundamentações dimensionadas para conseguir manter um discurso denso ao nível das ciências sociais:

Sexta-feira, Outubro 03, 2008

Na SIC Notícias

Parece-me que acabou de passar uma peça introdutória sobre a Sarah Palin onde a Tina Fey aparece como Sarah Palin e não dizia em lado nenhum que a Tina Fey não é a Sarah Palin. Estou um pouco confuso, mas acho que a SIC Notícias pensa que a Tina Fey é a Sarah Palin e isto num momento em que fala sobre as gaffes da Sarah Palin.

Isto depois do Nuno Rogeiro ter dito que este debate é "uma prova oral para a Sarah Palin, e digo-o sem nenhum segundo sentido". Que é parecido com dizer que: "este debate é uma prova de força para Joe Biden, e digo isto sem querer implicar que como bom homem tem o dever de dar uns belos tabefes na tontinha do Alasca".

Quinta-feira, Outubro 02, 2008

Era suposto ter escrito qualquer coisa hoje

Mas tenho tantas indignações, tantas angústias, tantas ansiedades e algumas perversidades, acumuladas dentro de mim, que nem sei por onde começar.

Gostaria de notar, no entanto, que estou perto de chegar a uma conclusão sobre o rácio ideal de bloguistas em locais festivos. Ao longo dos últimos quatro anos sempre que vou a uma festa, concerto, ou estabelecimento de diversão nocturna devidamente enquadrado e homologado pelo regime jurídico em vigor, tento sempre calcular o número presente de pessoas com blogues por oposição a pessoas normais. Penso que para o bem-estar de todos deveríamos andar à volta de 2:6 ou 3:7.

Depois posso explicar. Vou ver o debate, espero que ganhe a Tina Fey.

Quinta-feira, Agosto 21, 2008

Intimidades, intimismos e inibicionismos

Ainda outro dia um amigo meu me falava sobre um Chef, de um restaurante portuense, que quando não está satisfeito com a qualidade dos pratos, os atira contra a parede. “Deve ser para ver se pega”, respondi. A minha namorada disse-me logo para não ser parvo.

A verdade é que talvez não tenha sido um amigo meu a dizer-me isso, pode ter sido uma amiga, ou ainda um mamífero não especificado. E em vez do Porto, é possível que o restaurante se situe em Madrid, ou Lisboa, ou em Varsóvia.

Talvez não falássemos sequer sobre um Chef, podia ser sobre um empregado de escritório que, em vez de comida, goste de arremessar o agrafador contra a parede. A ver se pega. Talvez não tenha namorada, ou tenha e goste imenso dela, já que, na verdade ela ri-se das minhas piadas, o que faz dela a melhor namorada do mundo, mesmo que seja imaginária.

Não se deve escrever abertamente sobre pessoas que se conhece no blogue. Há coisas que o mundo não deve saber, a intimidade é uma delas. A intimidade dos outros acaba no ponto em que sabemos que toda as mulheres usam protecção menstrual, mas apenas alguns homens usarão papel higiénico. Há que estabelecer limites.

O argumento da cronologia elíptica também não pega. É que se foi algo que aconteceu há dois anos atrás, por que nos lembramos disso agora? Por que falar disso, daquela, daquilo? É porque estávamos a pensar nisso, sem dúvida. Se eu me lembrar da equipa do Milan que deu 4-0 ao Barcelona na final da Liga dos Campeões de 1994, também não restarão dúvidas que os gostaria de fazer a todos, mas com limite de inscrição de estrangeiros, como havia na altura.

E, já agora, será que quando Pedro Mexia escreve coisas como “C. vestia hoje um vestido arrivista que me deprimiu pela redenção do decote”, haverá alguém que lhe pergunte se é uma referência a Carlos, o contabilista da Cinemateca?

Quarta-feira, Agosto 13, 2008

A minha apreciação ao EP dos Soulbizness ou como conseguir fazer referências aos U2 e The Police sempre que se escreve sobre música

A primeira vez que ouvi Soulbizness foi um demo caseiro de uma canção chamada “Breaking News”, que o Rodrigo me mostrou em 2005. Foi um choque tremendo.

Tinha passado cinco anos da faculdade a achar que o Rodrigo era um baixista empenhado, uma pessoa com bom gosto musical e alguns outros atributos, como ser um bom amigo e ter engenho para inventar algo que o mundo viria a reconhecer como Rod Manouver.

A partir daí tive de fazer um esforço e aceitar o facto que aquela pessoa que me divertia com o seu ódio visceral a todas as coisas U2, também era um compositor de talento e um vocalista de respeito.

Quatro anos depois, vários concertos, a vitória no TMN Garage Sessions, o Festival Sudoeste, os Soulbizness, Rodrigo Gomes e Filipe Campos, editam o primeiro EP – Collectables.

O EP abre com a aparente tonalidade bubblegum sexy de Oh Sugar, onde as teclas ameaçam rotular o som de Jamiroquaesco. O Jay Kay nunca deixará de ter valor, mas os Soulbizness não andam aqui a brincar, e a meio da canção os primeiros sinais do Soul e do Funk começam a rasgar pela superfície através do baixo e da voz. Um single forte, que esconde uma grande maturidade (não esquecer que os Soulbizness dividem créditos de produção e arranjos).

TMHSR, ou Teenage Mutant High School Rockers, tem qualquer coisa da dinâmica grunge, versos lentos e refrão acelerado (popularizada pelos The Police), mas numa inversão inteligente. Uma estrutura que carrega de forma excelente a indignação alegre contra o fenómeno das teen band fabricadas, e que vai descolando até aterrar num solo de guitarra que nos relembra bem que ser cool não tem nada a ver com modas.

Em Not The Man os sintetizadores ecoam num ambiente Motown, onde o vocalista womanizer pede desculpa por ser um cabrão mas a vida é assim e no fundo ela é que lhe tem de agradecer a franqueza e os bons momentos. A guitarra tenta equilibrar a equação entre os elementos de Soul e Funk, mas a canção perde um pouco de balanço pela pouca proeminência do baixo. Dá a sensação que as linhas que se conseguem ouvir, sobretudo no refrão, mereciam mais, sobretudo pelo que se percebe ao vivo.

Mouthful brilha com mais força nos momentos mais ‘despidos’ de produção, que é quando se calam os sintetizadores e outros artifícios. É uma canção tensa, que oscila entre a contenção e a confissão, e que ocasionalmente se disfarça de balada. O resultado final não deixa de ser Soul, bom Soul.

Não é fácil avaliar um álbum quando se tem como comparação um bom número de actuações da banda ao vivo. São quatro excelentes músicas que lançam bases sólidas sobre o que são os Soulbizness: a energia do Funk, a verdade do Soul e um talento enorme. Ainda assim, este EP, por razões de espaço e produção, não faz inteira justiça aquilo que já não é o potencial dos Soulbizness – mas sim o valor que a banda tem hoje e que confirma nos concertos.

Ainda assim, isto não é nada negativo, pelo contrário. Conseguir ser melhor ao vivo do que no disco (e é só um primeiro EP) é uma qualidade que não está ao alcance de muitos, e que distingue, geralmente, os melhores.

http://www.myspace.com/soulbizness

Vídeo oficial (Oh Sugar)

Vídeo não-oficial - Soulbizness vs. YouTube All-Stars (autoria OQE1BLOG):

Quarta-feira, Julho 30, 2008

A Verdadeira Verdade Inconveniente

Tenho reparado que a maioria dos anúncios televisivos dirigidos ao mercado feminino, ou fazem propaganda a champôs que revitalizam e devolvem o brilho ao cabelo, ou a iogurtes que resolvem a prisão de ventre.

Assim, e de acordo com a Publicidade, que por sua vez se baseia em estudos de mercado altamente científicos, parece-me ser claro que as mulheres de hoje enfrentam dois terríveis flagelos: cabelos estragados e obstipação.

Dia a dia tomamos conhecimento de descobertas científicas verdadeiramente irrelevantes. Para quando um esforço sério dirigido para a construção de um futuro em que mulheres de cabeleira lustrosa e esvoaçante passem a arrear o calhau de forma regular? Alguém me explica estas merdas?

Terça-feira, Julho 29, 2008

Soulbizness - Collectables EP; amanhã, na Fnac



01. Oh Sugar
02. TMHSR (Teenage Mutant High School Rockers)

03. Not the Man

04. Mouthful

Soulbizness - MySpace

Terei, mais uma vez, de me auto-citar sobre este assunto.

Sexta-feira, Julho 25, 2008

Eternus 9

Quinta-feira, Julho 24, 2008

Batman e Trincadeira

Depois de um monocasta Trincadeira Cortes de Cima 2004, que recomendo, não tenho outra opção senão ir ver o novo Batman na sessão das 00:25. Tenho para cima de 15 Graphic Novels do Batman, e mais de 74 Bds (versões brasileiras, mesmo depois de várias terem ido para o lixo, cortesia da minha mãe) do Cavaleiro das Trevas.

Poderia falar-vos de Frank Miller, mas depois dos 300 e de Sin City qualquer idiota sabe quem é Frank Miller. E, falando em Banda Desenhada, tenho um edição do Eternus 9 autografada e dedicada pelo Victor Mesquita, aceito propostas - mínimo, dez mil euros. Em relação às do Batman, tenciono ficar com elas. Boa noite.

Quarta-feira, Julho 16, 2008

A verdade

é que gostei de The National, era isso que queria dizer. Se quisesse ouvir o disco dos MGMT numa tenda abafada teria ficado em casa a ouvir o disco dos MGMT numa tenda abafada. Também é verdade que se tivesse escrito que a forma e a substância são indivisíveis na sua divisibilidade, não haveria grande diferença, e continuaria a ser igualmente difícil comprar uma cerveja no Optimus Alive.

Segunda-feira, Julho 14, 2008

Optimus Alive ou Não é possível ter grandes pretensões a ser 'hip' quando se gosta de U2

Terminadas as duas primeiras canções do pop boémio dos MGMT, vi-me compelido a deixar para trás o público pseudo-brookliniano, onde se viam alguns seres humanos de calças justas de padrão zebra, e abandonar a tenda desenxabida em direcção ao palco principal. Ainda que parte da morosidade pungente dos The National se perdesse no recinto pouco inspirado no Passeio Marítimo de Algés, que lembra um centro comercial mal desenhado, voltei a perceber que talvez não seja uma pessoa fixe e que a forma e a substância são divisíveis na sua indivisibilidade.

Segunda-feira, Julho 07, 2008

'E então? Não tenho nada a ver com isso.'

É, sem dúvida, uma das frases mais significativas de Bruno Aleixo, o Ewok coimbrão.



Estimo que num dia normal me depare, em média, com pelo menos quinze oportunidades que justifiquem plenamente a sua utilização.

'Ontem devo ter comido algo estragado'.
'E então? Não tenho nada a ver com isso.'

'Vou de férias para o Sul de Espanha.'
'E então? Não tenho nada a ver com isso.'

'Ontem à noite o puto não se calava'.
'E então? Não tenho nada a ver com isso.'

'Vi um filme espectacular no cinema'.
'E então? Não tenho nada a ver com isso.'

'Desde que comecei a vir de bicicleta para o trabalho sinto-me muito mais saudável'.
'E então? Não tenho nada a ver com isso.'

'Este fim-de-semana a ver se vou à praia.'
'E então? Não tenho nada a ver com isso.'

'Quando era pequeno o meu pai arreava-me forte com o cinto'.
'E então? Não tenho nada a ver com isso.'

'Tenho um casamento a meio de Agosto.'
'E então? Não tenho nada a ver com isso.'

'Ontem gostei imenso do Prós e Contras.'
'E então? Não tenho nada a ver com isso.'

'Tive de pagar extra para alterar a data do meu voo de regresso'.
'E então? Não tenho nada a ver com isso.'

'O meu computador está estragado'.
'E então? Não tenho nada a ver com isso.'

'Estive a manhã toda nas Finanças por causa dos recibos verdes'.
'E então? Não tenho nada a ver com isso.'

'Nunca li nada do Saramago.'
'E então? Não tenho nada a ver com isso.'

'A minha banda vai dar um concerto este Sábado'.
'E então? Não tenho nada a ver com isso.'

'Nunca percebi bem se o sinal que diz Teatro Armando Cortez nos intervalos do Prós e Contras é real ou um efeito especial.'
'E então? Não tenho nada a ver com isso.'

Quinta-feira, Julho 03, 2008

Dou-vos tudo

Terça-feira, Julho 01, 2008

Eu, o Bon Iver, e uma cabana ♪



Não há nada de mal em fazer música a pensar em anúncios de empresas de telecomunicações e graus de toque-de-telemovelicidade. Como não há nada de mal em proclamar a plasticidade superficial de uns Cut Copy ou de uns Justice, como uma espécie de advento musical carregado de simbologia profunda. Mas não chega.

Assim, é reconfortante saber que, algures no mundo, existem homens que, no início do Inverno, decidem ir para uma cabana na montanha e, pelo caminho, compor um dos melhores álbuns dos anos 00.

Um álbum daqueles onde alguns temas se sentem confortáveis com o epíteto genial, ao mesmo tempo que se apresenta uma série de dificuldades para os críticos mais afectados que queiram distinguir uma canção que seja um "clássico instantâneo".


Este é For Emma, Forever Ago, de Bon Iver.

Bon Iver, aliás Justin Vernon, um rapaz do Midwest norte-americano inspirado por aquela série do médico que vai para o Alaska, abandona a banda indie a que pertence mais ou menos ao mesmo tempo que acaba a relação com a namorada, e decide passar uns tempos na cabana do pai no Wisconsin. Por que não escolheu ir passar uma semana óbvia a Cancun, nunca saberemos, mas estamos agradecidos. São quatro meses a machadar e a escrever música.


All of his personal trouble, lack of perspective, heartache, longing, love, loss and guilt that had been stock piled over the course of the past six years, was suddenly purged into the form of song. The end result is, For Emma, Forever Ago, a nine-song album.

Os primeiros dias passam ao som do escorrido "Flume", que anuncia gelidamente I am my mother's only one / It's enough, que é outra maneira de dizer "ainda bem que sou o único no mundo a beneficiar desta combinação genética, não ando nada contente". Mesmo que seja um tema a antever momentos bons, não deixa de evocar lugares comuns da chamada folk em acústica, ainda que através de águas sinuosas. Felizmente, não é indicador do que vem a seguir.

Acordamos depois com os primeiros raios de genialidade através dos falsetes assombrados de "Lump Sum", onde saímos pela cabana fora com Bon Iver e encontramos um Inverno cheio de sentimentos contraditórios, num tema inteligente e que indicia estarmos na presença de um "génio na cabana". É difícil não pensar em Jeff Buckley. São pesadelos semelhantes, mas com muito menos distorção.


Passam umas semanas e Bon Iver parece surpreender-nos com boas novas. No entanto, a aparente acessibilidade reconfortante do rádio-amigável Skinny Love esconde o desabrochar de uma série de cicatrizes. Who will love you? Who will fight? Who will fall far behind?. Não se vislumbra sequer uma fisionomia de resposta.

Someday my pain, someday my pain / Will mark you. Somos despertados a meio de um pesadelo invernoso por "Wolves (Act I and II)". Assombrados por uivos, with the wild wolves around you / in the morning, I'll call you, é tempo de atribuir culpas, de largar acusações, de tentar perceber what might have been lost. Não há confronto sem evocação. A explosão musical fogo-de-artificiosa nos momentos finais é, ao mesmo tempo, libertadora e pungente.

Depois do onirismo, a fria realidade. Descemos vertiginosamente Bike down... down to the downtown / Down to the lockdown... boards, nails lye around de encontro à violência deste tema justamente denominado - "Blindsided". No caminho gélido de uma descida que, na "linha aprendida", vai ao encontro de uma pergunta que não necessita de verdadeira resposta: Would you really rush out for me now?

No confronto que se segue, com "Creature Fear", esbarramos em choque frontal com a admissão, ainda que a indiciar uma certa lamechice, de I was lost but your fool / Was a long visit wrong?, compensada pela agressividade do refrão. Parece que Bon Iver se começa a fartar de sentir pena de si mesmo, pontuando a música com arrancadas em força que parecem caminhar para um qualquer tipo de redenção. São boas notícias que nos traz o Inverno do Wisconsin e que segue imediatamente para o instrumental apropriado de "Team".

O calor começa a degelar o Inverno, e com ele aparece "For Emma", que com "Lump Sum" e "Blindsided" é um dos momentos mais fortes deste álbum. So apropos: / Saw death on a sunny snow seriam uns dos melhores versos de abertura de sempre, se não fossem abafados pelos excelentes sopros, sem dúvida gravados posteriormente, mas que indubitavelmente já retumbavam na cabeça entrapada na cabana wisconsiana de Bon Iver, aliás, Justin Vernon.

Há uma resignação quase divertida nas linhas With all your lies / You're still very lovable, como sabe qualquer pessoa que já se tenha cruzado com uma mentirosa compulsiva, adorável mas perigosa. E não podemos fazer nada para ignorar a dimensão do medo, mascarada com a progressão optimista do tema que se cruza connosco na sequência "...my knees are cold / running home / running home".

No final, quando saímos finalmente da cabana, ao som de "re:Stacks", podemos procurar, mas não encontramos qualquer tipo de catarse. Apenas uma descoberta que pende num excelente jogo lirico-melódico, iniciada por uma referência a Qumran, e que culmina neste:

This is not the sound of a new man or crispy realization
It's the sound of the unlocking and the lift away
Your love will be
Safe with me

É aqui que Justin Vernon nos lembra que os momentos de redenção raramente são pontos de encerramento. São, isso sim, momentos sisificos de recomeço e de novas hermenêuticas. E que estas memórias, por mais marcantes ou dolorosas que sejam, não se esquecem. Guardam-se em segurança. Até sempre.

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